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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CENTRAL


CENTRAL
  
  
HISTORIA
“O português Alberto Pires de Carvalho partiu de Jacobina para Xique-Xique, e mais tarde para Tiririca, residindo nesse povoado e adquirindo por compra as terras. No povoado de Saco dos Bois, vizinho a Itaguaçu, morava um fazendeiro que com a ajuda dos vaqueiros, cachorros e ferrões aprisionaram uma índia que denominaram de Felícia que com quatro anos estava mansa. Chegando ao conhecimento do Sr. Alberto Pires de Carvalho a fama da beleza da índia, foi conhecê-la, apaixonando-se, encontrando ali a futura esposa e mãe de seus vinte e quatro filhos que aumentaram a população de Tiririca e iniciaram futuramente a de Central.
O povoado de Riacho Largo serviu como ponto de apoio, daí as famílias cresceram, o que fez com que alguns começassem a procurar terras de maior produtividade. Foi assim que Izidro José Ferreira cuidou de fazer uma rocinha na região do Juá da Espera, ao nascente de Riacho Largo, em 1870. Não se contentando com as conquistas até ali, Izidro e outros começaram a trabalhar em novos objetivos, novas conquistas, com picadas na caatinga trabalhado por vários dias, eram quatro sendo os outros três os dois filhos Manoel, Lúcio Ferreira e o seu genro Francisco Ferreira dos Santos, vulgo Chico Ferreira.
Trabalhavam arduamente e dormiam na mata, sempre em direção ao nascente. No quinto dia de serviço, após ultrapassarem a área hoje, Central, voltaram um pouco, mas à noite não dormiram por causa da sede, pois não mais servia a água de caroá e outras plantas. Pela manhã, entretanto, viram pássaros voando numa só direção e Manoel Ferreira, destemido e curioso, viajou na direção do voo dos pássaros e, ao sair do sol, encontrou as pedreiras da toca Velha, mas sendo a toda de dentro, ao sul da outra e nela havia um pouquinho de água. Manoel Ferreira gritou seus companheiros e todos beberam à vontade, permanecendo ai por dois dias, planejando a volta para o Riacho Largo, até que encontraram a área que atualmente encontra se Central.”

O município de Central com 52 anos de emancipação política ocupa uma área de 476 KM² localizada a 502 km da Capital do Estado, às margens da BR 052 na Estrada do Feijão, região semi-árida a noroeste da Bahia, no Território de Irecê. Com uma população estimada em 18.029 habitantes, sua sociedade é formada por um povo que tem origens na miscigenação entre indígenas, africanos e europeus e que traz na maneira de trabalhar a terra, na culinária e nos festejos, características das culturas que os originaram. Hoje possui entre sua população grupos Quilombolas em processo de reconhecimento, porém a descendência indígena ainda carece de estudos e valorização.
A vegetação predominante é a Caatinga, cortada por rochas e serras onde se detectou riquíssimo patrimônio paleontológico datado de cerca de 10.000 anos. As serras existentes têm em média 800 metros de altitude apresentando fendas e tocas esculpidas nas rochas com a denominação local de grota, grutas, boqueirões, tanques e fontes, locais com presença de água, como Grota da Pitanga, Grota dos bois, Gruta da Lapinha, Riacho Largo, Boqueirão de Maxixe, Fonte Grande, etc. Ao longo dessas fontes e grotas o homem pré-histórico, estudado desde 1983 pela a professora Drª Maria Beltrão[1], deixou marcas do seu passado através de pinturas em cavernas e cânion, como também dos utensílios achados em cacimbas e tanques onde se verifica a existência de ossos fossilizados de animais pré-históricos e extintos há mais de 10 mil anos.

 
Este patrimônio arqueológico prospectado pela Drª. Maria Beltrão apresenta-se em bom estado de conservação e retrata formas geométricas, cosmológicas e ritualísticas, desde sinais simples às formas altamente elaboradas, constituindo pequenos e grandes painéis dispostos aleatoriamente ou organizados nos paredões desses grotões. A pesquisa científica do Projeto Central de Arqueologia, coordenado pela professora Maria Beltrão descobriu dentre fósseis humanos pesquisados, vestígios de homens africanos e indígenas que viveram neste Território há mais de 10.000 anos.
Com IDH de 0, 614 e de PIB per capta de R$ 2.199,00, sua principal atividade econômica é a agricultura de sequeiro e a criação de pequenos animais como também as aposentadorias e os programas sociais de transferência de renda do governo federal.
Grande parte dos agricultores pratica a agricultura familiar de subsistência e participam de manifestações culturais através dos grupos de cultura popular como os Ternos de Reis, as rodas de São Gonçalo, as cantigas de roda assim como há uma rica produção de literatura de cordel, de artesanatos, e de outras expressões artísticas como as artes plásticas e a música. O ponto de partida para o despertar dos grupos de cultura popular foi à participação destes no I Festival das Primeiras Águas realizado em 2006 pela Rede de Cultura Popular de Irecê, com o apoio de entidades sociais do Território.
Nos últimos anos as manifestações culturais têm ocupado lugar de destaque na vida dos munícipes através da realização de feiras, festivais, mostras e encontros de cultura. Toda esta dinâmica deve-se as políticas de descentralização e democratização de recursos do Governo Federal pelo Ministério da Cultura - MINC, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia - SECULT, bem como as ações importantes das estatais e bancos públicos como o BNB, dando oportunidades a todos com os editais de apoio a cultura.
No início de 2009 o município foi contemplado com: dois Pontos de Cultura com o apoio da SECULT/MINC (que atendem mais de 350 crianças, adolescentes e adultos com oficinas de teatro, música, informática, artesanato, capoeira e audiovisual), três projetos do edital BNB Cultural, e um prêmio do edital de Microprojetos Culturais, possui uma biblioteca e um museu arqueológico.

2.2 ASPECTOS CULTURAIS
2. 2.1. Diversidade de manifestações culturais locais, as áreas culturais predominantes e identitárias, grupos culturais existentes e atuantes:
O município possui uma rica tradição das manifestações da cultura popular. Embora na pesquisa MUNIC IBGE 2006 apareça apenas um grupo de Terno de Reis, na Análise Cultural da SECULT-BA 2009 encontramos registros de sete grupos   de Ternos de Reis e um grupo de Roda de São Gonçalo, cuja origem destes grupos é o município de Sento Sé trazido para esta região nos anos de 1945, pela família Croa. Originalmente estes grupos faziam suas manifestações com músicas, danças e rezas por motivos religiosos, hoje encontramos alguns deles que saem apenas pela tradição festiva que herdaram de seus familiares, mas que prestam um serviço importantíssimo à memória das tradições populares do município de Central. Para a diretora de cultura do município, Mariluze Oliveira Amaral, pesquisadora da cultura de Central, essas manifestações têm raízes em matrizes africanas e indígenas percebidas através dos instrumentos e vestimentas que usam como os tambores de carnaúba, as danças e as vestimentas coloridas. Com mais de 60 anos de tradição, os grupos de Ternos de Reis e o de Roda de São Gonçalo, são formados por famílias de agricultores todos na zona rural. Esta Manifestação por muitas décadas ficou esquecida pelo poder publico e por parte da sociedade, o que levou muitos grupos ao risco de extinção, mas a partir da década de 90, com a articulação e os Festivais das Primeiras Águas realizadas pela Rede de Cultura Popular do Território de Irecê, os grupos que estavam fragilizados passaram a sofrer novas influências pelos seus pares, elevaram sua auto estima e com o apoio da rede e da Prefeitura Municipal de Central, hoje o município além de ter catalogado estes grupos, faz um trabalho de recuperação dos que ainda se encontram muito fragilizados. Por serem agricultores e devido à falta de política agrícola para a agricultura familiar, todos vivem grandes dificuldades financeiras.
Outro Registro de manifestação cultural muito importante para o município é a literatura de cordel. Na análise cultural do município feita para a SECULT BA pelos dirigentes de cultura do município, encontra-se o registro de oito escritores de literatura de cordel, alguns com livros já publicados. Esta literatura fez parte da alfabetização de muitos munícipes é tão forte na educação deste povo que encontramos aqui cordelistas que mesmo analfabetos têm livros de cordel publicados, como Seu Miguel Viola e Wilson Alves da Silva.
A música é outra expressão artística muito viva no município, além de músicos tradicionais da MPB, existe um crescente mercado de bandas musicais que fazem as festas dos povoados do município e da região. O quadro abaixo é uma amostra mais próxima da realidade, pois, além de utilizarmos à pesquisa da MUNIC, dados da Análise Cultural do Município/SECULT BA, a experiência do pessoal da diretoria de cultura contribuiu para ampliar este quadro.


Quadro  Músicos, Bandas e Estilos Musicais do Município de Central
Músico/Grupo
Estilo musical
Origem
CD Gravado
Dermival Francisco da Silva
Sertanejo
Povoado de Mandacaru

Não
Hugo Santana
MPB
Central/sede
Não
Reinaldo José de Oliveira

Central/sede

Ismar Maciel
MPB
Central/sede
Sim
Deraldo A. Pereira
MPB e variados
Central/sede

Sr. Joaquim Francisco do Nascimento
Sambas da cultura popular
Povoado do Morro dos Lúcios

Elaine Pereira R. de Castro
MPB
Central/sede
Sim
 Eliana dos Santos Lima
MPB
Central/sede

Esdras Pereira Dias
MPB e variados
Central/sede

Adelmo e Osvaldo
Sertanejo
Povoado de Lagoa dos Martins

Zé Capela
MPB
Povoado do Maxixe
Sim
João de Bira
MPB
Sede
Sim
Paulo Cordel
MPB
Sede
Sim
Aésio Fernandes da Silva
MPB
Povoado de Laguinha

Alan Maciel
Sertanejo
Povoado de Riacho Largo

MaiKes Pereira Souza
Sertanejo
Povoa de do Caderaãozinho

Esdras Pereira Dias
Sertanejo
Povoado de Caderãozinho

Banda I Love Forró
Forró Universitário
Sede
Sim
Banda Madeirada
Axé

Sim
Banda Matrix


Sim
Banda Sonho Dourado
Brega e Arrocha
Gameleira
Sim
Trio Mandacaru
Forró
Povoado de Maxixe

Sanfoneiro Diniz
Forró
Povoado de Nova Vista

Banda Joiran
Axé, pagode
Sede
Sim
Banda Swing de Central
Pagode, axé, forró.
Sede
Sim

 
2.2.2 Diversidade de atividades culturais
A prefeitura Municipal de Central realiza anualmente a festa de aniversário do município dia 12 de agosto que é a maior festa do município que atrai turistas de toda a região, com uma programação musical centrada nas bandas que estão na mídia. Realiza também festejos juninos na sede e nos povoados com apresentações de quadrilhas. A mostra anual de cultura vem ganhando força através da atuação e do desenvolvimento dos trabalhos dos pontos de Cultura.
A Semana Nacional do Museu que realizará sua oitava edição em 2010, tem em sua programação palestras, mesas redondas e visitação aos sítios arqueológicos e conta com a participação da comunidade, dos estudantes, professores e visitantes de escolas e universidades de outros municípios.
Os grupos de cultura popular, além de saírem em seus festejos tradicionais durante as visitações das lapinhas, com o apoio da prefeitura, a partir da articulação com a Rede de Cultura Popular do Território de Irecê, organizam encontros de cultura popular onde reúnem num mesmo dia todos os grupos do município e alguns convidados da região.
A religiosidade é uma característica forte do centralense, onde encontramos católicos, evangélicos, espíritas, e alguns terreiros de matrizes africanas, mas em termos de festas religiosas, as procissões e festas de santos da Igreja Católica como a Festa de Santa Luzia no Povoado de São João de Arsênio, a Festa de São Sebastião no Povoado de Mandacaru, as procissões de Santa Terezinha na sede e a de Nossa Srª. da Conceição do Povoado de Palmeiras,
2.2.3 ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS CULTURAIS

02 PONTOS DE CULTURA:
Em 2007 a SECULT realizou uma oficina para elaboração de projetos do Edital Ponto de Cultura no Território de Irecê. O resultado desta oficina foi a participação de 6 municípios neste Edital e a conquista para o município de Central de 2 Pontos de Cultura, conforme demonstra o quadro a seguir:

Quadro 02. Participação dos municípios do Território de Irecê no Edital Pontos de Cultura da Bahia 2008
Município
Nº. de projetos
Nº. de projetos habilitados
Nº. de projetos selecionados
Barra do Mendes
01


Barro Alto
01


Central
03
03
02
Ibititá
01


Irecê
01


Uibaí
01



Ponto de Cultura Viver com Arte
Entidade mantenedora: ACAAC – Associação dos Artistas e Artesões de Central, organização com uma longa história no apoio a cultura centralense, responsável pelas realizações de várias Amostras de Cultura e incentivo ao artesanato, composta de Artistas e Artesões do município. Atualmente está realizando as oficinas de música (violão), artesanato e software livre.
Ponto de Cultura Manoel Viola

 
Entidade Mantenedora: COMAC – Comitê Municipal das Associações de Central, Organização fundada em 1988, com uma longa história de apoio ao associativismo e as manifestações culturais,     responsável pela coordenação de 45 associações comunitárias, compostas basicamente de agricultores familiares, artistas e artesões. Têm participado de vários editais relacionados à cultura, dentre eles o BNB Cultural e Pontos de Cultura. Há uma parceria estreita com a Prefeitura de Central através da Secretaria de Educação e Cultura pela cessão de espaço físico, funcionários e  assessoria na elaboração de projetos culturais e agrícolas.
Hoje o ponto de cultura atende mais de 350 crianças, jovens e adultos com oficinas de teatro, capoeira, música, desenho e pintura, serigrafia e informática básica.

OUTROS EQUIPAMENTOS:
Museu Arqueológico de Central
Ocupa o espaço do Antigo Mercado Municipal. Há em exposição antiguidades, fotos históricas, fósseis e painéis pintados com pinturas rupestres encontradas nos vários sítios arqueológicos encontrados no município pela Pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro Maria Beltrão. Segundo a mesma, quando o museu tiver condições para receber os vários fósseis encontrados no município que se encontram no Rio de Janeiro, estes voltarão para a cidade.
BIBLIOTECAS:

Biblioteca pública municipal Almir Ribeiro Maciel - Após mais de vinte anos fechada, em outubro de 2008 foi reaberta. Ocupa ainda um espaço pequeno e modesto com um acervo ainda não muito grande. Mesmo assim há centenas de alunos a procuram para fazer a suas pesquisas. Precisa melhorar o espaço físico e aumentar o acervo.

2.2.4 REDE DE COMUNICAÇÃO LOCAL E REGIONAL
No município de Central há uma emissora de Rádio FM Comunitária, uma publicação de jornal impresso, dois infocentros abertos ao público além de dez infocentros em escolas municipais. A emissora de rádio, apesar de ser comunitária, e ter uma abertura significativa para os interesses da comunidade, mantém um perfil de programação e de locução muito próximo ao das emissoras de rádio comerciais.
3.  GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE CULTURA.

3.1 Mecanismos de Gestão e Financiamento da Cultura.
A área da cultura no organograma da prefeitura de Central compõe a Secretaria de Educação, cultura, esporte e Lazer onde, na sua estrutura organizacional está o Departamento de Cultura, criado em 2005, mas que só em 2008 foi nomeada sua primeira equipe cujo conhecimento e experiência na área cultual está permitindo realizar um levantamento minucioso acerca da cultura local. O departamento funciona na secretaria de educação, não dispõe de estrutura própria para seu funcionamento e é gerenciado pelo Chefe de departamento que coordena uma equipe de três pessoas que, além de estar responsável pela documentação para implantação do Sistema Municipal de Cultura e pelo levantamento das expressões culturais do município estimula e prestam assessoria às entidades, artistas e grupos culturais na elaboração e na gestão de projetos.  Não há orçamento municipal destinado à cultura, lei de incentivo e fundo de cultura, assim esta área vem aparecendo no município muito mais pela criatividade dos movimentos culturais e da equipe dos gestores culturais do que por mecanismos públicos locais de incentivo à área.

3.2 INSTITUCIONALIDADE DA CULTURA, COMPROMETIMENTO E ESTÁGIO DE IMPLANTAÇÃO DE SISTEMA MUNICIPAL DE CULTURA.
Em 2009 foi realizada a I Conferência Municipal de Cultura do município de Central onde além das propostas de subsídio à elaboração do Plano municipal de Cultura, foi sugerida a implantação do SMC. A elaboração dos documentos de criação do SMC foi encaminhada a partir de então, em reuniões com artistas, representantes de entidades culturais, educadores e sociedade até o início do mês de março. No momento, o documento supracitado está sob apreciação do executivo, para posterior envio ao legislativo e sua aprovação prevista para o mês de abril de 2010.

3.3 RELACIONAMENTO ENTRE PODER PÚBLICO E SOCIEDADE CIVIL DA ÁREA CULTURAL – CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS.
Além da parceria com os dois pontos de Cultura na realização de oficinas e eventos, a quantidade de projetos culturais elaborados pela equipe do departamento de cultura para as entidades socioculturais, artistas e grupos da cultura popular, e o resultado destes, revelam uma relação de parceria entre o órgão público e estes agentes culturais, como demonstra o quadro a seguir:

Quadro 03. Projetos elaborados, habilitados e aprovados em 2008 e 2009
Editais 2008/2009
Projetos Enviados
Apoiadores
Entidades Proponentes
Projetos Aprovados
BNB CULTURAL 2009
11
BNB
COMAC
ACAAC
PREFEITURA
1 Trator das Artes (COMAC)
2 Bibliotecas
Rurais (Prefeitura)
Microprojetos
Culturais 2009
07
SECULT-BA/MINC/BNB
07 artistas do município
Berimbau Retrato da
 Nossa Gente
Bolsa Agente Cultura Viva 2009
02
MINC
COMAC
ACAAC
Habilitados não
selecionados
Agente Escola Viva 2009
02
MINC
COMAC
ACAAC
Habilitados não selecionados
Pontões de Cultura 2009
01
MINC
COMAC
Habilitado não selecionado
Prêmios Culturas Populares Mestre
Dona Izabel 2009
02 Mestres
02 Grupos
MINC
02 Mestres da Cultura Popular
01 Mestre na suplência
03 habilitados
Pontos de Cultura
2008
03
SECULT-BA/MINC
COMAC
ACAAC
ICEC
03 aprovados
02 conveniados
Bibliotecas Comunitárias
2008
08
SECULT
Associações
de Pais das
Escolas
Não habilitados
Mestres/Cultura
Popular
2008
06
SECULT
Mestre e Grupos de Reisado
Habilitados/Não selecionados
Mestre de Cultura Popular
2008
01
MINC
Mestre da
Cultura
Popular
Habilitado/Não selecionado


O quadro demonstra uma relação muito próxima entre a Secretaria de Educação e Cultura e as entidades sociais do município na elaboração de projetos de captação de recursos, porém o percentual de entidades proponentes destes projetos é muito inferior à quantidade de associações existentes neste território, demonstrando aqui uma lacuna na perspectiva da descentralização das ações e recursos da cultura proposto pela política cultural do MINC e SECUL

3.4 SITUAÇÕES DA CAPACITAÇÃO E COMPETÊNCIAS DE AGENTES
CULTURAIS, ARTISTAS, PRODUTORES E GESTORES CULTURAIS.
A parceria com as entidades culturais, artistas, associações comunitárias, na elaboração de projetos culturais individuais e coletivos e a aprovação de vários destes, têm aproximado os agentes culturais da Secretaria de Educação e Cultura, embora a carência de formação em gestão e elaboração de projetos ainda é uma lacuna no município.
A partir de 2009, com a aprovação e o desenvolvimento das atividades dos pontos de cultura em parceria com a Secretaria de Educação e Cultura, foram realizadas oficinas nas áreas de música, teatro, audiovisual, capoeira, informática e artesanato envolvendo cerca de 400 estudantes do município.
O município, através da indústria cidadã (programa do governo estadual em parceria com o município), realizou oficinas de corte e costura e artesanato para mulheres provenientes do Loteamento Casas Populares.
Realização de oficinas de artesanato pelo Pró Jovem (programa federal em parceria com o município), para estudantes atendidos pelo programa bolsa família.

3.5 SITUAÇÕES DOS DIREITOS CULTURAIS NO MUNICÍPIO: DIREITO A CRIAÇÃO, FRUIÇÃO, A PARTICIPAÇÃO NAS DECISÕES POLÍTICAS DA CULTURA E A MEMÓRIA COLETIVA.

Comparando os dados da Munic com a realidade atual apontada pela Análise Cultural do Município de Central, há uma crescente valorização dos grupos da cultura popular através do apoio à realização de seus encontros e festejos e da assessoria à elaboração de projetos como o Ponto de Cultura Manoel Viola (voltado para valorização da cultura popular) e quatro projetos de Prêmios Culturas Populares Mestre Dona Izabel.
Os pontos de cultura, grupos e artistas estão ampliando suas parcerias com o poder público local estimulado pelos editais das mais diversas instâncias.
As conquistas de projetos culturais para o município por artistas e entidades da sociedade civil como os Pontos de Cultura e o Micro projetos Culturais (SECULT/MINC), o Trator Cultural e as Bibliotecas Rurais (BNB) estes através da Secretaria de Educação e Cultura, têm contribuído para ampliar significativamente o acesso, a fruição, a criação e a produção de bens culturais.
As festas do município promovidas pela prefeitura ainda mantém o foco na cultura de massa, mas já há a preocupação com o espaço para as manifestações culturais locais.Ainda não há orçamento municipal que garanta apoio às expressões culturais do município.
Está em fase de convenia mento entre o COMAC e o BNB – Banco do Nordeste do Brasil, o projeto Trator das Artes. Este projeto é composto por um trator com reboque adaptado para palco, biblioteca e projeção de cinema, com toldos, cadeiras e barracas para feiras de artesanatos, que percorrerá 24 comunidades da zona rural, durante 12 meses. Está previsto no projeto a parceria com a Secretaria de Educação e Cultura na realização de oficinas de gestão participativa e elaboração de projetos culturais, de contração de histórias, de poesias, de literatura de cordel e de produção de textos, que entrarão como atividades pedagógicas nos planejamentos das escolas das comunidades beneficiárias do projeto e terão sua culminância nos dias da visita do Trator das Artes.
Existem 45 associações comunitárias no município, coordenadas pelo COMAC – Comitê das Associações Comunitárias de Central – proponente do Ponto de Cultura Manoel Viola; a ACAAC – Associação dos Artistas e Artesãos de Central, responsável pelo Ponto de Cultura Viva Arte e que também faz parte do COMAC; o STR – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Central e entidades estudantis que, há mais de duas décadas, atuam na luta pelo desenvolvimento do município.

3.6 INTERFACES COM A EDUCAÇÃO, COMUNICAÇÃO, TURISMO.
O Plano de Ações Articuladas – PAR elaborado pela Secretaria de Educação em parceria com o Ministério da Educação – MEC, prevê a reformulação do Currículo da Rede Municipal de Educação e orienta que seja inserida a Educação Patrimonial e a Educação Para Convivência Com o Semi-árido na perspectiva da valorização da cultura local, a ser trabalhada em todas as unidades de ensino municipais.
Durante a Semana Nacional dos Museus, a Secretaria de Turismo e Meio Ambiente realiza este evento municipal em parceria com a Secretaria de Educação e Cultura, através de palestras, oficinas visitação ao museu e aos sítios arqueológicos.
Além da parceria com os pontos de cultura, está em fase de conveniamento entre o COMAC e o BNB – Banco do Nordeste do Brasil, o projeto Trator das Artes. Este projeto foi elaborado pela diretoria de cultura e suas ações também serão articuladas com as unidades de ensino das comunidades beneficiárias do projeto


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Após análise dos dados obtidos através dos Levantamentos da pesquisa MUNIC/IBGE 2006, da Análise Cultural do Município de Central/SECULT-BA 2009, dos dados da SEI e das informações colhidas em reuniões, na I Conferência Municipal de Cultura e em escutas de relatos de pessoas com amplo conhecimento sobre a realidade sociocultural do município, pudemos observar a riqueza e diversidade cultural e social existente em Central, entretanto a ausência do Sistema Municipal de Cultura e a pouca capacidade de captação de recursos pelas entidades socioculturais, assim como o tradicional modelo de gestão vigente nessas instituições, são desafios ao desenvolvimento de uma política cultural descentralizada.  
Pensar as políticas de desenvolvimento da cultura para o município de Central levando em consideração a pouca formação nas linguagens artístico-culturais, a ausência de um espaço adequado para fruição e acesso aos bens culturais e a necessidade de maiores investimentos na criação e produção destes bens, implica na institucionalização da cultura, como também na formação dos agentes socioculturais em gestão participativa e cultural.
Além da diversidade das expressões artísticas e culturais do município de Central, a organização da sociedade civil em quarenta e cinco associações comunitárias coordenadas pelo Comitê Central das Associações Comunitárias - COMAC, a atuação política do Sindicato de Trabalhadores Rurais, entidades e grupos estudantis e religiosos, revelam um potencial associativo muito favorável ao desenvolvimento do município. Entretanto para que o município consiga articular a política social que garantam a melhoria da qualidade de vida de seus munícipes na perspectiva do paradigma do desenvolvimento humano, e para que a área da cultura consiga avançar nas questões supracitadas, é importante a institucionalização da gestão municipal da cultura e pelo desenvolvimento de uma política cultural que leve em conta toda diversidade existente no município e que fortaleça a participação da sociedade na gestão não apenas da área da cultura, mas nas demais áreas onde as associações atuam.
Assim, para a valorização, apoio e desenvolvimento da cultura no município de Central-BA, necessário se fazer a implantação do Sistema Municipal de Cultura com todas as suas instâncias, e a formulação de uma política cultural democrática, focada na formação dos gestores socioculturais, artistas e novos agentes culturais do município.
Através dessa analise as culturas estão desenvolvendo e si transformando aos pouco, tanto no nível econômico e social, pois as culturas são quem dão origem uma sociedade, para que seus significados sejam preservados séculos após séculos.
  

















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